A notícia caiu como uma bomba! Estou eu acordada desde cedo, trabalhando na minha revisão de literatura. Decidida a dar prioridade absoluta à minha dissertação, postei ontem no Facebook: "treinando e me aprimorando na arte de c*gar e andar para estresses que não sejam de natureza acadêmica". Daí hoje, empenhada em redigir algo benfeito, recebo uma ligação que põe abaixo minha concentração, acaba com meu dia e com qualquer esperança de ter uma semana melhor que a anterior. Porque eu sempre penso: "Ok, o fundo do poço chegou, agora é prender a respiração e subir de um impulso só", fazendo das tripas coração para ser otimista, coisa que nunca fui, nem na mais tenra infância. Daí vem mais uma má notícia, e tudo vai abaixo. Hoje, parece que minha mãe, a pessoa mais otimista do mundo, perdeu a esperança. Quando lhe disse não saber o que fazer, ela respondeu: "Reze".
Minha mãe passou os piores perrengues dessa vida sem perder a serenidade. Desde enfrentar uma gravidez prestes a ficar viúva, sabendo que restava tão pouco tempo de vida ao marido que talvez ele nem conhecesse a filha, até passar por isso com uma dignidade de impressionar, ela nunca se abalou. Deus foi tão bom conosco que poupou meu pai de ir sem conhecer a filha, ele viveu o suficiente pra acompanhar meu primeiro ano escolar - muito além do seu prognóstico. E quando esse dia chegou, minha mãe ficou sem nada: nem casa, nem emprego, nem perspectiva. Reconstruiu tudo devagarinho e pacientemente, montou nosso pequeno patrimônio e assim me criou e educou, muito bem, por sinal. O que me impressiona nisso tudo é que nem quando todas as portas estavam fechadas ela se desesperou. E toda vez que perco a cabeça ela diz: "Deus sempre abre uma porta. Fiquei em situação pior com você criança, e as soluções vieram".
Neste momento, minha mãe não está desesperada, mas passa uma tristeza que não é do seu feitio. Vez por outra ela se questiona sobre as portas que se fecharam, sem entender porque todas elas estão fechadas. Neste exato momento, eu não sei nem como raciocinar, mas penso apenas em recuperar a calma e o foco para poder redigir. Nem sei como serão os próximos dias e quantas portas ainda vão se fechar até que eu encontre o caminho certo - sim, porque se elas se fecham é porque não estou no caminho certo. Vou tocar os compromissos da tarde na medida do possível e, se me sobrar tempo - e cabeça -, não falto o ballet. Se posso aprender alguma coisa com o exemplo da minha mãe, é tocar minha vida sabendo que tem pessoas que precisam de mim. No caso da minha mão, uma filha pequena; no meu caso, um orientador, professores, equipes de trabalhos. Apenas peço força pra continuar cumprindo meu papel, até que tudo se solucione.
(Nem) Freud Explica
...e, se ele não explica, não serei eu quem vai fazê-lo.
rapadura é doce, mas não é mole
- Macabea
- Cor: azul | Banda: Radiohead | Música: In the Year (Echobelly) | Homem: sei não | Mulher: eu | Bebida: caipiruva | Gesto: abraço | Animal: gato | Lugar: Olinda | Veneno: pagode | Objeto: perfume | Verbo: cantar
Monday, March 12, 2012
Mais uma semana e uma porta fechada
A notícia caiu como uma bomba! Estou eu acordada desde cedo, trabalhando na minha revisão de literatura. Decidida a dar prioridade absoluta à minha dissertação, postei ontem no Facebook: "
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Tuesday, March 06, 2012
Sobre dores e lições
Já faz algum tempo que, entre uma alegria e outra, eu levo uma pancada. Essas pancadas vêm-se acumulando há meses e chegaram a um ponto em que eu me vejo encurralada. Não convém aqui eu detalhar minha vida e os problemas que me têm afligido.
Essa semana começou da pior maneira possível, recebendo a primeira má notícia da semana ainda na minha cama, nos primeiros segundos de olhos abertos da segunda-feira. O desespero foi tanto que nem consegui chorar. Deitei novamente (pra coroar, tinha passado a madrugada em claro com dor de garganta) e dormi algumas horas, para me acordar perto das 9h e raciocinar. Então, saí e fui tentar as soluções que ainda me restavam. Mas foi assim: cada curso de ação, uma porta fechada. E as portas parecem não se abrir de jeito nenhum.
Mais tarde, ao chegar da última porta fechada, tomei um banho e deitei. A essa altura, estava torrando de febre, sem disposição física e emocional para os estudos e o ballet e muita necessidade de dormir para me esquecer da vida. Feito. À noite, levantei, fiz uma refeição e liguei o computador. A intenção era estudar. Mas entrei no Facebook e publiquei a Oração de São Jorge. Há quem diga que eu deva me blindar contra "inimigos". E isso me confortou por alguns minutos.
Que as coisas andam dando errado pra mim, em muitos aspectos, ninguém discute. Os mais próximos chegam a olhar pra mim com pena e, se isso não me ajuda, pelo menos me conforta saber que as pessoas se sensibilizam, sabem que não estou carregando nas tintas e tal. E, conversa vai, conversa vem, o assunto sempre vai parar nos outros: a inveja, o olho-gordo, a energia negativa e todas essas coisas que a gente insiste em acreditar quando o bicho pega. A necessidade de procurar um culpado é inevitável, de se vitimizar e dizer que o problema são os outros. Não que esse tipo de energia não exista, mas é o tipo da coisa que não causa grandes aborrecimentos em quem tem fé. E eu sempre me perguntando: e por que comigo? O que há com minha fé?
Pois bem: muitas pancadas foram necessárias pra parar de ficar procurando "o problema" que está nos outros e reconhecer o tanto de problemas que há em mim. Os próximos dias (quem sabe semanas e meses?) ainda trarão muitas surpresas desagradáveis e, se não as posso evitar, só me resta entender que há muito mais gente no mundo com problemas mais graves e irreversíeis que o meu, lidando com mais serenidade.
Foi à tarde que decidi não faltar o ballet e estudar. Estudei até a hora da aula e, enquanto dirigia até o ballet, pensei na quantidade de coisas sujas que cultivamos no pensamento e que terminam refletindo em atitudes. Vi que talvez eu precise aprender a pensar. E talvez reeducar meus atos e redirecionar minha vida. Redistribuir a energia que pode estar em excesso em alguns lugares e escassa em outros. Talvez esteja na minha mão sair dessa m****. E, se não estiver, acho que não vou perder nada em tentar.
Essa semana começou da pior maneira possível, recebendo a primeira má notícia da semana ainda na minha cama, nos primeiros segundos de olhos abertos da segunda-feira. O desespero foi tanto que nem consegui chorar. Deitei novamente (pra coroar, tinha passado a madrugada em claro com dor de garganta) e dormi algumas horas, para me acordar perto das 9h e raciocinar. Então, saí e fui tentar as soluções que ainda me restavam. Mas foi assim: cada curso de ação, uma porta fechada. E as portas parecem não se abrir de jeito nenhum.
Mais tarde, ao chegar da última porta fechada, tomei um banho e deitei. A essa altura, estava torrando de febre, sem disposição física e emocional para os estudos e o ballet e muita necessidade de dormir para me esquecer da vida. Feito. À noite, levantei, fiz uma refeição e liguei o computador. A intenção era estudar. Mas entrei no Facebook e publiquei a Oração de São Jorge. Há quem diga que eu deva me blindar contra "inimigos". E isso me confortou por alguns minutos.
Que as coisas andam dando errado pra mim, em muitos aspectos, ninguém discute. Os mais próximos chegam a olhar pra mim com pena e, se isso não me ajuda, pelo menos me conforta saber que as pessoas se sensibilizam, sabem que não estou carregando nas tintas e tal. E, conversa vai, conversa vem, o assunto sempre vai parar nos outros: a inveja, o olho-gordo, a energia negativa e todas essas coisas que a gente insiste em acreditar quando o bicho pega. A necessidade de procurar um culpado é inevitável, de se vitimizar e dizer que o problema são os outros. Não que esse tipo de energia não exista, mas é o tipo da coisa que não causa grandes aborrecimentos em quem tem fé. E eu sempre me perguntando: e por que comigo? O que há com minha fé?
Pois bem: muitas pancadas foram necessárias pra parar de ficar procurando "o problema" que está nos outros e reconhecer o tanto de problemas que há em mim. Os próximos dias (quem sabe semanas e meses?) ainda trarão muitas surpresas desagradáveis e, se não as posso evitar, só me resta entender que há muito mais gente no mundo com problemas mais graves e irreversíeis que o meu, lidando com mais serenidade.
Foi à tarde que decidi não faltar o ballet e estudar. Estudei até a hora da aula e, enquanto dirigia até o ballet, pensei na quantidade de coisas sujas que cultivamos no pensamento e que terminam refletindo em atitudes. Vi que talvez eu precise aprender a pensar. E talvez reeducar meus atos e redirecionar minha vida. Redistribuir a energia que pode estar em excesso em alguns lugares e escassa em outros. Talvez esteja na minha mão sair dessa m****. E, se não estiver, acho que não vou perder nada em tentar.
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Thursday, February 09, 2012
Lucratividade plus size
Há alguns anos surgiu a polêmica da modelo magrela: que aquilo era absurdo, que uma pessoa não pode manter aquele peso sem prejuízo à saúde, que aquilo estava desencadeando transtornos alimentares em pessoas jovens, "má influência", "fábrica de anoréxicas", etc. Mas o que dizer dessa moda de modelos plus size? Se seguíssemos o mesmo raciocínio de que as modelos magras são um estímulo aos transtornos alimentares, podemos dizer que as modelos plus size são um estímulo à alimentação desregrada e ao sedentarismo. No fim, tudo fal mal à saúde, não é? Mas todo mundo acha a modelo plus size uma expressão de democracia, um reconhecimento de que cada shape tem sua beleza, de que a mulher com sobrepeso não é necessariamente feia, etc. E, no fim das contas, esse discurso é muito bem-aceito pelas mulheres com sobrepeso, porque muito cômodo, afinal muitas delas já estão exauridas de recorrer a dietas, exercícios, e simplesmente não tocar para frente porque implica uma mudança muito grande de hábitos... para a qual não estão preparadas. Por outro lado, sabemos que nem todos os que estão acima do peso o estão por maus hábitos: há inúmeros fatores, que vão de genética à escolha pessoal de cada um, e não necessariamente refletem uma pessoa descuidada.
Nem toda magra é saudável. Fui assitir a um desfile, e a modelo parecia não ter um músculo sequer. Era magra, mas muito flácida e passava uma imagem de frágil. Fora que o "magra" era uma ilusão: a menina tinha lá seus depósitos de gordura, mas como tinha pouquíssima musculatura era leve, logo... "magra". Pele, ossos, gordura. Por outro lado, nem toda gorda tem as artérias entupidas e é sedentária. Moral da história: se a estética é uma opção de cada um, faça suas escolhas pondo sua saúde em prioridade.
O que me preocupa nessa história das modelos plus size é que ela não tá aí pra fazer você se sentir bem, levantar sua autoestima, criar uma moda "democrática" ou romper com a "ditadura" da magreza. Ela é fruto de um discurso muito bem-articulado de um mercado que fatura milhões e que enxerga, num mundo onde a obesidade cresce exponencialmente, um enorme potencial de lucro. Vejam bem: é mais fácil para a indústria inverter uma tendência (que é o aumento da obesidade) ou usá-la a seu favor? Nem precisa responder, né? Primeiro, porque a indústria da moda (e adjacentes) não tem nada com sua saúde e está pouco se preocupando se o aumento da obesidade é um problema de saúde pública. Como eu disse, é um problema de saúde pública, não deles. Mas o seu ego lhes interessa, sim. Porque o consumo de moda tem muita relação com autoestima, e não convém deixar um público que está se tornando maioria confinado em lojinhas de nome engraçadinhos, separadas das lojas para pessoas "normais". É preciso incluir, oferecer, numa mesma loja, peças de 36 a 56, sem distinção alguma.
Nesse sentido, eu acho que incluir é o caminho certo, é romper com uma distinção que nunca fez sentido algum e só humilhou as pessoas com sobrepeso. Só tenho meu pé atrás com a maneira que essa "inclusão" está sendo feita. Com um discurso inconsequente de "como é bonito ser gordinho", "homem não é cachorro pra gostar de osso", etc., mulheres que já tinham dificuldades em aderir a uma rotina de exercícios ou reeducação alimentar sentem-se mais confortáveis pra soltar as rédeas e comer de tudo sem culpa e não caminhar 100 m.
Então, vale para as magras, as médias, as gordas: sim, é verdade que todo shape tem sua beleza, que é questão de gosto. Mas isso não significa ficar subnutrida para emagrecer ou aceitar-se gorda para não ter que abrir mão de tortas e afins. Magra ou gorda, o que não dá é ser incapaz de subir um lanço de escada sem ofegar, passar mal com uma corridinha de leve e ter só açúcar e gordura na veia. No peso que você escolheu, cultive sua saúde.
Tá na hora de mostrar que o discurso modelo plus size é tão perigoso quanto o da modelo ultramagra. Tá na hora de refletir sobre quais interesses residem por trás desse discurso de "permissividade", sustentado por agentes que querem sua fatia de mercado cada vez maior, independentemente de estimular ou coibir maus hábitos. A indústria não tá aí pra te educar, mas para lucrar; se pra isso ela precisar ser permissiva com seus maus hábitos ou até estimulá-los, não hesitará em fazê-lo.
Gorda ou magra, independentemente de sua escolha, faça-o sem descuidar da sua saúde. Não sou mais nenhuma menina e já não tenho os mesmos 45 kg de cinco anos atrás. Por outro lado, apesar do metabolismo mais lento, hoje tenho mais disposição e taxas melhores que naquela época. É claro que gostaria de ter meus 45 kg de volta, mas isso é um gosto pessoal meu. Mas fico feliz em saber que hoje estou mais saudável que naquela época. #ficadica
Nem toda magra é saudável. Fui assitir a um desfile, e a modelo parecia não ter um músculo sequer. Era magra, mas muito flácida e passava uma imagem de frágil. Fora que o "magra" era uma ilusão: a menina tinha lá seus depósitos de gordura, mas como tinha pouquíssima musculatura era leve, logo... "magra". Pele, ossos, gordura. Por outro lado, nem toda gorda tem as artérias entupidas e é sedentária. Moral da história: se a estética é uma opção de cada um, faça suas escolhas pondo sua saúde em prioridade.
O que me preocupa nessa história das modelos plus size é que ela não tá aí pra fazer você se sentir bem, levantar sua autoestima, criar uma moda "democrática" ou romper com a "ditadura" da magreza. Ela é fruto de um discurso muito bem-articulado de um mercado que fatura milhões e que enxerga, num mundo onde a obesidade cresce exponencialmente, um enorme potencial de lucro. Vejam bem: é mais fácil para a indústria inverter uma tendência (que é o aumento da obesidade) ou usá-la a seu favor? Nem precisa responder, né? Primeiro, porque a indústria da moda (e adjacentes) não tem nada com sua saúde e está pouco se preocupando se o aumento da obesidade é um problema de saúde pública. Como eu disse, é um problema de saúde pública, não deles. Mas o seu ego lhes interessa, sim. Porque o consumo de moda tem muita relação com autoestima, e não convém deixar um público que está se tornando maioria confinado em lojinhas de nome engraçadinhos, separadas das lojas para pessoas "normais". É preciso incluir, oferecer, numa mesma loja, peças de 36 a 56, sem distinção alguma.
Nesse sentido, eu acho que incluir é o caminho certo, é romper com uma distinção que nunca fez sentido algum e só humilhou as pessoas com sobrepeso. Só tenho meu pé atrás com a maneira que essa "inclusão" está sendo feita. Com um discurso inconsequente de "como é bonito ser gordinho", "homem não é cachorro pra gostar de osso", etc., mulheres que já tinham dificuldades em aderir a uma rotina de exercícios ou reeducação alimentar sentem-se mais confortáveis pra soltar as rédeas e comer de tudo sem culpa e não caminhar 100 m.
Então, vale para as magras, as médias, as gordas: sim, é verdade que todo shape tem sua beleza, que é questão de gosto. Mas isso não significa ficar subnutrida para emagrecer ou aceitar-se gorda para não ter que abrir mão de tortas e afins. Magra ou gorda, o que não dá é ser incapaz de subir um lanço de escada sem ofegar, passar mal com uma corridinha de leve e ter só açúcar e gordura na veia. No peso que você escolheu, cultive sua saúde.
Tá na hora de mostrar que o discurso modelo plus size é tão perigoso quanto o da modelo ultramagra. Tá na hora de refletir sobre quais interesses residem por trás desse discurso de "permissividade", sustentado por agentes que querem sua fatia de mercado cada vez maior, independentemente de estimular ou coibir maus hábitos. A indústria não tá aí pra te educar, mas para lucrar; se pra isso ela precisar ser permissiva com seus maus hábitos ou até estimulá-los, não hesitará em fazê-lo.
Gorda ou magra, independentemente de sua escolha, faça-o sem descuidar da sua saúde. Não sou mais nenhuma menina e já não tenho os mesmos 45 kg de cinco anos atrás. Por outro lado, apesar do metabolismo mais lento, hoje tenho mais disposição e taxas melhores que naquela época. É claro que gostaria de ter meus 45 kg de volta, mas isso é um gosto pessoal meu. Mas fico feliz em saber que hoje estou mais saudável que naquela época. #ficadica
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Monday, January 30, 2012
Blogs: o culto do amador é mesmo o fim?
Eu sou uma pessoa que gosta de informação. Gosto por gostar, e isso é anterior ao fenômeno Web 2.0. Na minha infância, me divertia com pequenas enciclopédias, ganhei uma chamada O Livro da Vida aos 7 anos, e ela me distraía nos dias chuvosos das férias. Era legal saber um pouquinho de cada coisa. Entender como funcionava aquela "virose" que o médico diagnosticou. Ou porque a coloração do meu cabelo resultou num verde bizarro. Diversos porquês.
E, com a Web 2.0, percebi que muito mais gente tinha essa curiosidade. E mais: na Web, elas compartilhavam suas pesquisas com as colegas. Eu amei a iniciativa. E, diferentemente de alguns intelectuais, não vejo nisso o apocalipse. Sempre vi muito potencial.
Engana-se quem pensa que o universo de produtos de moda e beleza é pura futilidade. Aliás, a futilidade está no uso que cada um faz desse universo, e não na essência dele. Por detrás dos produtos que tornam nossas rotinas mais agradáveis, há costumes, pesquisas, tecnologias, verdades e mentiras, há tanta coisa a ser pesquisada e desvendada. E acho massa quem se propõe a fazer isso e, nas horas livres, adentro o universo dos blogs buscando informação segura e embasada. Por exemplo, um dos meus blogs preferidos é o Eu Amo Cabelo. A responsável (responsável em todos os sentidos da palavra) por ele é Carla Figueira, uma cabeleireira gente-como-a-gente, não uma cabeleireira de celebridades, mas a quem eu entregaria meus cabelos sem medo se ela morasse numa cidade próxima. É que tudo que ela publica é pesquisado, embasado, passa segurança ao ler. Além do mais, ela tem o know-how da prática profissional. O Maria Vai Comigo é outro que está entre meus preferidos. A responsável por ele é uma publicitária que reflete sobre seu papel enquanto blogueira no cotidiano das leitoras (veja aqui) e até fez seu trabalho de conclusão de curso a esse respeito. Pontos para Beta! A Cássia Pires, Dos Passos da Bailarina, tem o cuidado de pesquisar (para além da Web, inclusive) e compartilhar sua rotina como bailarina adulta, mostrando nossas potencialidades e limitações, refletindo com responsabilidade - e uma escrita impecável - sobre um assunto que requer muito estudo.
Igual aos blogs da Carla, da Beta e da Cássia (atualmente meus favoritos), há uma porção de blogs feitos por pessoas comprometidas em pesquisar e fornecer informação segura e de qualidade. Mas esse tipo de blogueira, lamentavelmente, tá virando exceção. O que eu vejo por aí é um bando de mulher desesperada em ganhar jabá e fazer "parcerias", sem ter conhecimento de causa para isso. O resultado são blogs mal-escritos, cujas informações são réplicas de outros blogs e que não acrescentam nada de novo a não ser um desesperado "siga minha página para eu ganhar jabás". Isso é um prato cheio para o pessoal do Shame on you, blogueira!, meu mais novo vício.
Ter um blog que sirva de referência é muito bom e, acreditem, se eu tivesse tempo investiria nisso. Pesquisar, investigar e oferecer informações que ajude as colegas a não fazerem escolhas equivocadas é gratificante. Mas ler um verbete na Wikipedia e se achar autoridade no assunto é m pouco demais. Coletar informações nos blogs das colegas e publicar como algo novíssimo também não é lá o que se espera de uma "formadora de opinião" (e, sim, empresas só vão investir em brindes para formadoras de opinião).
Apesar do radicalismo de Andrew Keen em O Culto do Amador, a coisa caminha nesse sentido. Mas, longe de ser uma apocalíptica (muito menos integrada), acho que ainda é possível separar o joio do trigo. E, muito embora estejamos vivendo um momento em que o joio seja maioria, eu sempre vou separar meus momentos livres para apreciar o pouco de trigo que ainda existe na Web.
PS: Várias pessoas me perguntam porque eu me recuso a seguir blogs. A ferramenta de seguir, em tese, teria sido criada para facilitar a vida do leitor e mantê-lo informado de tudo que há de novo. Infelizmente, essa ferramenta se conveteu num contador de acessos que as marcas monitoram para decidir com quem vão fazer "parcerias". Definitivamente, não tô aqui pra engordar estatística. Meus blogs preferidos estão na minha barra de favoritos. E esta, empresa nenhuma monitora (em tese).
E, com a Web 2.0, percebi que muito mais gente tinha essa curiosidade. E mais: na Web, elas compartilhavam suas pesquisas com as colegas. Eu amei a iniciativa. E, diferentemente de alguns intelectuais, não vejo nisso o apocalipse. Sempre vi muito potencial.
Engana-se quem pensa que o universo de produtos de moda e beleza é pura futilidade. Aliás, a futilidade está no uso que cada um faz desse universo, e não na essência dele. Por detrás dos produtos que tornam nossas rotinas mais agradáveis, há costumes, pesquisas, tecnologias, verdades e mentiras, há tanta coisa a ser pesquisada e desvendada. E acho massa quem se propõe a fazer isso e, nas horas livres, adentro o universo dos blogs buscando informação segura e embasada. Por exemplo, um dos meus blogs preferidos é o Eu Amo Cabelo. A responsável (responsável em todos os sentidos da palavra) por ele é Carla Figueira, uma cabeleireira gente-como-a-gente, não uma cabeleireira de celebridades, mas a quem eu entregaria meus cabelos sem medo se ela morasse numa cidade próxima. É que tudo que ela publica é pesquisado, embasado, passa segurança ao ler. Além do mais, ela tem o know-how da prática profissional. O Maria Vai Comigo é outro que está entre meus preferidos. A responsável por ele é uma publicitária que reflete sobre seu papel enquanto blogueira no cotidiano das leitoras (veja aqui) e até fez seu trabalho de conclusão de curso a esse respeito. Pontos para Beta! A Cássia Pires, Dos Passos da Bailarina, tem o cuidado de pesquisar (para além da Web, inclusive) e compartilhar sua rotina como bailarina adulta, mostrando nossas potencialidades e limitações, refletindo com responsabilidade - e uma escrita impecável - sobre um assunto que requer muito estudo.
Igual aos blogs da Carla, da Beta e da Cássia (atualmente meus favoritos), há uma porção de blogs feitos por pessoas comprometidas em pesquisar e fornecer informação segura e de qualidade. Mas esse tipo de blogueira, lamentavelmente, tá virando exceção. O que eu vejo por aí é um bando de mulher desesperada em ganhar jabá e fazer "parcerias", sem ter conhecimento de causa para isso. O resultado são blogs mal-escritos, cujas informações são réplicas de outros blogs e que não acrescentam nada de novo a não ser um desesperado "siga minha página para eu ganhar jabás". Isso é um prato cheio para o pessoal do Shame on you, blogueira!, meu mais novo vício.
Ter um blog que sirva de referência é muito bom e, acreditem, se eu tivesse tempo investiria nisso. Pesquisar, investigar e oferecer informações que ajude as colegas a não fazerem escolhas equivocadas é gratificante. Mas ler um verbete na Wikipedia e se achar autoridade no assunto é m pouco demais. Coletar informações nos blogs das colegas e publicar como algo novíssimo também não é lá o que se espera de uma "formadora de opinião" (e, sim, empresas só vão investir em brindes para formadoras de opinião).
Apesar do radicalismo de Andrew Keen em O Culto do Amador, a coisa caminha nesse sentido. Mas, longe de ser uma apocalíptica (muito menos integrada), acho que ainda é possível separar o joio do trigo. E, muito embora estejamos vivendo um momento em que o joio seja maioria, eu sempre vou separar meus momentos livres para apreciar o pouco de trigo que ainda existe na Web.
PS: Várias pessoas me perguntam porque eu me recuso a seguir blogs. A ferramenta de seguir, em tese, teria sido criada para facilitar a vida do leitor e mantê-lo informado de tudo que há de novo. Infelizmente, essa ferramenta se conveteu num contador de acessos que as marcas monitoram para decidir com quem vão fazer "parcerias". Definitivamente, não tô aqui pra engordar estatística. Meus blogs preferidos estão na minha barra de favoritos. E esta, empresa nenhuma monitora (em tese).
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Tuesday, December 20, 2011
O Jogo foi lindo
Quando o dia amanheceu domingo, e eu levantei da cama sem febre, sem dor, sem qualquer tipo de mal-estar, só agradeci a Deus e a todas as pessoas que torceram e pensaram positivo para que eu conseguisse ir ao palco. Na última quinta-feira, no hospital, eu chorava pela possibilidade de não ir. E até o último segundo eu temi que algo me acontecesse (depois daquela sucessão de infortúnios).
Juntei roupa, maquiagem, tomei banho, fiz o coque e fui ao teatro, começar a maratona de maquiagens. Fiz a minha e depois a das colegas. Queria ter feito a de todas, mas o tempo não permitiu, e algumas precisaram se maquiar sozinhas, isso me deixou um pouco frustrada. No fim, deu tudo certo.
Quando as cortinas abriram, pela primeira vez me senti nervosa. Fomos o primeiro grupo a entrar. Teatro lotado!
Primeira cena: rainhas e peças dos jogos
Depois, a experiência de trocar de roupa entre uma coreografia e outra foi "temça". Gente, dá um medo de entrar com a roupa pela metade ou não entrar, que você tira a roupa sem o menor pudor de eventualmente estar pagando peitinho kkkkk E então, hora das "bolarinas".
E então, a troca de roupa para aterceira cena: tirar o macacão e vestir novamente a roupa de rainha: collant, saia, casaca, broche, brincos, anel, coroa, ufa! Tudo pronto, entramos para a valsa das rainhas e finalmente o jogo de xadrez que encerrava o espetáculo.


Valsa das Rainhas
Depois do agradecimento, quando a cortina fechou, demos um abraço coletivo gigante. A cortina reabriu quando ainda estávamos abraçados. Depois, fotos, flores e cumprimentos.
Juntei roupa, maquiagem, tomei banho, fiz o coque e fui ao teatro, começar a maratona de maquiagens. Fiz a minha e depois a das colegas. Queria ter feito a de todas, mas o tempo não permitiu, e algumas precisaram se maquiar sozinhas, isso me deixou um pouco frustrada. No fim, deu tudo certo.
Quando as cortinas abriram, pela primeira vez me senti nervosa. Fomos o primeiro grupo a entrar. Teatro lotado!
Primeira cena: rainhas e peças dos jogos
Depois, a experiência de trocar de roupa entre uma coreografia e outra foi "temça". Gente, dá um medo de entrar com a roupa pela metade ou não entrar, que você tira a roupa sem o menor pudor de eventualmente estar pagando peitinho kkkkk E então, hora das "bolarinas".
Bolas das roletas, as "bolarinas"
Bem, aí foi mais difícil. De cara, a troca de bolas que fora megaensaiada não deu certo. Com isso, uma colega não conseguiu entrar no palco porque a bola simplesmente desapareceu. Eu já entrei no palco em pânico, não conseguia pensar em mais nada, a nao ser nela, que ensaiara tanto, parada ali na coxia porque sua bola simplesmente desaparecera. Tensa, adiantei uma passagem da coreografia; a professora gritava da coxia que eu estava rápida demais, eu ficava desesperada. Mas no fim, o resultado foi lindo. E, ao que parece, o público não percebeu esses pequenos defeitos. Apenas fiquei triste pela minha colega.E então, a troca de roupa para aterceira cena: tirar o macacão e vestir novamente a roupa de rainha: collant, saia, casaca, broche, brincos, anel, coroa, ufa! Tudo pronto, entramos para a valsa das rainhas e finalmente o jogo de xadrez que encerrava o espetáculo.

Valsa das Rainhas
O Jogo
Depois do agradecimento, quando a cortina fechou, demos um abraço coletivo gigante. A cortina reabriu quando ainda estávamos abraçados. Depois, fotos, flores e cumprimentos.
A rainha descabelada e o mimo dos convidados
Agradecimentos: Deus, minha mãe, meu bophe, minhas professoras, amigos do ballet, meus amigos e todos os que torceram para eu ficar boa dos "infortúnios".
Agradecimentos: Deus, minha mãe, meu bophe, minhas professoras, amigos do ballet, meus amigos e todos os que torceram para eu ficar boa dos "infortúnios".
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Tuesday, November 29, 2011
Não, você não o/a esqueceu
A história é sempre a mesma: o/a cara te larga e você fica na maior fossa, enquanto ele/ela está curtindo "essa tal liberdade"#piegasfeelings Bem, acho que todo ser humano adulto já passou por isso ao menos uma vez na vida, e a situação não é das mais agradáveis. Fato. Mas nada impede que você curta sua fossa com classe. Acredite: nada impede mesmo. Sei que, mesmo depois que passa a fase de não querer existir e volta a vontade de recuperar a dignidade, algo ainda não foi digerido. Trata-se apenas do mundo chamando para a vida real, o que não quer dizer que você o vá fazer com boa vontade. Mas precisa fazer, a sociedade tá aí pra te reprimir se você fica vegetando. Pois bem.
Aí vem a fase do "pintei o meu cabelo, me valorizei" e, com o perdão do trocadalho, é aí que as pessoas exageram nas tintas. Você volta pra vida real e mudar de ares (e de visual, para a mulher) é quase um caminho inevitável para a autoestima degradada. Depois vem a ressocialização. Frequentar lugares que há muito não frequentava, reencontrar velhos amigos e conhecer novos, tá tudo dentro do processo. E, claro, a sociedade está lá a postos para te cobrar uma "volta por cima" (que expressão cafuçu, meu pai!).
Mas com as redes sociais, a tal convivência com a perda afetiva ganhou uns traços, no mínimo, curiosos. Sabe o exagero nas tintas de que falei? A necessidade de mostrar a qualquer custo que superou, para a sociedade (que tanto cobra a superação) e PRINCIPALMENTE para o/a ex, cresceu exponencialmente nas redes sociais, prporcionando à audiência momentos simplesmente cômicos. É a fase do "baba baby, baby baba". O recém-magoado vai a todas as baladas do mundo com uma câmera na mão, ele é incapaz de ir comprar um big big na esquina sem a levar consigo e registrar aquele momento de "pura curtição". E subitamente ele entra numa felicidade insuportável, insuportável porque não convence ninguém. E começa a postar fotos de baladas, convites de baladas, a programaçãodo fim de semana, de declarar para a humanidade que sua vida se resume a curtir e, que, poxa, como você é feliz! E não convence ninguém. E, no fim das contas, o "baby" até baba, mas é de tanto rir (perdão do trocadalho de novo!).
Ninguém é de ferro, inclusive eu, e ficar magoada por muito tempo faz parte do processo. Admitir não é sinal de covardia, mas de honestidade, e isso não pressupõe ficar remoendo. Você está certo, procure os amigos e vá experimentar aqueles pequenos prazeres que - sejamos honestos - só os solteiros têm. Não há nada de condenável nisso. Mas não empurre sua "felicidade", forjada numa rede social com fotos e mensagens, goela abaixo. Isso, sim, é sinal de fraqueza. Porque, na medida em que você e preocupa em mostrar para o outro o quanto está bem, mostra o quanto ainda se preocupa com o outro. E não é pecado se preocupar com a opinião do outro, é humano, normal, mortal, mas fazê-lo de forma velada é no mínimo hipócrita.
Todo processo de desligamento tem começo, meio e fim. E o apagamento da imagem do outro, da perda, da falta, é gradual, até o momento em que se lida com naturalidade com as lembranças, separando as boas das ruins, reconhecendo os ganhos e as perdas e, sobretudo, que os novos ciclos serão melhores porque evoluímos. Quando chegamos numa rede social com a ideia fixa de mostrar para o outro o quanto estamos bem, tentamos pular etapas nesse processo e ficamos presos eternamente ao outro, ao que ele pensa e faz... e esquecemos de cuidar do mais importante: de nós. Resumindo: ficamos em looping entre o começo e meio, nunca chegamos ao fim.
Por isso, se eu pudesse dar um conselho a cada pessoa que vejo fazer isso - sim, porque quando se faz isso, é descarado, ACREDITEM -, diria que não pague tanto mico. As pessoas de fora - e provavelmente o/a ex - estão rindo da sua cara ou pior: tratando tudo isso com enorme indiferença. Porque esse ex já encontrou um novo caminho, tá em paz, fez a escolha dele. E, por mais duro que seja admitir isso, é necessário. E, principalmente, acreditar que chegará o seu momento de encontrar seu novo caminho. Mas para ele chegar é preciso que tudo esteja cicatrizado e bem-resolvido e isso requer paciência, não alvoroço, pressa, imediatismo. E nunca ficará bem-resolvido se você ficar vivendo à imagem do outro.
Se quiser mudar o visual, mude; se quiser relacionamentos sem compromisso, tenha; mas faça-o porque você quer, porque tá lhe causando bem-estar, não porque quer mostrar aos outros. Sei que as pressões da sociedade são grandes, mas faça o que faz por você, na medida do possível. "Pinte o cabelo e se valorize", mas não exagere nas tintas e não induza os outros a valorizá-lo/a polo que você não é. E abaixo o "baba, baby" nas redes sociais, porque se torna cômico e todo mundo baba, mas é de rir da sua cara. Sei que bom senso em excesso nos torna castradores, mas a ausência dele nos torna joselitos-sem-noção, que nos orkuts e facebooks da vida só servem para uma coisa: ser motivo de ironia e chacota para os outros. E isso, apesar da dureza das minhas opiniões, eu não desejo a ninguém.
Aí vem a fase do "pintei o meu cabelo, me valorizei" e, com o perdão do trocadalho, é aí que as pessoas exageram nas tintas. Você volta pra vida real e mudar de ares (e de visual, para a mulher) é quase um caminho inevitável para a autoestima degradada. Depois vem a ressocialização. Frequentar lugares que há muito não frequentava, reencontrar velhos amigos e conhecer novos, tá tudo dentro do processo. E, claro, a sociedade está lá a postos para te cobrar uma "volta por cima" (que expressão cafuçu, meu pai!).
Mas com as redes sociais, a tal convivência com a perda afetiva ganhou uns traços, no mínimo, curiosos. Sabe o exagero nas tintas de que falei? A necessidade de mostrar a qualquer custo que superou, para a sociedade (que tanto cobra a superação) e PRINCIPALMENTE para o/a ex, cresceu exponencialmente nas redes sociais, prporcionando à audiência momentos simplesmente cômicos. É a fase do "baba baby, baby baba". O recém-magoado vai a todas as baladas do mundo com uma câmera na mão, ele é incapaz de ir comprar um big big na esquina sem a levar consigo e registrar aquele momento de "pura curtição". E subitamente ele entra numa felicidade insuportável, insuportável porque não convence ninguém. E começa a postar fotos de baladas, convites de baladas, a programaçãodo fim de semana, de declarar para a humanidade que sua vida se resume a curtir e, que, poxa, como você é feliz! E não convence ninguém. E, no fim das contas, o "baby" até baba, mas é de tanto rir (perdão do trocadalho de novo!).
Ninguém é de ferro, inclusive eu, e ficar magoada por muito tempo faz parte do processo. Admitir não é sinal de covardia, mas de honestidade, e isso não pressupõe ficar remoendo. Você está certo, procure os amigos e vá experimentar aqueles pequenos prazeres que - sejamos honestos - só os solteiros têm. Não há nada de condenável nisso. Mas não empurre sua "felicidade", forjada numa rede social com fotos e mensagens, goela abaixo. Isso, sim, é sinal de fraqueza. Porque, na medida em que você e preocupa em mostrar para o outro o quanto está bem, mostra o quanto ainda se preocupa com o outro. E não é pecado se preocupar com a opinião do outro, é humano, normal, mortal, mas fazê-lo de forma velada é no mínimo hipócrita.
Todo processo de desligamento tem começo, meio e fim. E o apagamento da imagem do outro, da perda, da falta, é gradual, até o momento em que se lida com naturalidade com as lembranças, separando as boas das ruins, reconhecendo os ganhos e as perdas e, sobretudo, que os novos ciclos serão melhores porque evoluímos. Quando chegamos numa rede social com a ideia fixa de mostrar para o outro o quanto estamos bem, tentamos pular etapas nesse processo e ficamos presos eternamente ao outro, ao que ele pensa e faz... e esquecemos de cuidar do mais importante: de nós. Resumindo: ficamos em looping entre o começo e meio, nunca chegamos ao fim.
Por isso, se eu pudesse dar um conselho a cada pessoa que vejo fazer isso - sim, porque quando se faz isso, é descarado, ACREDITEM -, diria que não pague tanto mico. As pessoas de fora - e provavelmente o/a ex - estão rindo da sua cara ou pior: tratando tudo isso com enorme indiferença. Porque esse ex já encontrou um novo caminho, tá em paz, fez a escolha dele. E, por mais duro que seja admitir isso, é necessário. E, principalmente, acreditar que chegará o seu momento de encontrar seu novo caminho. Mas para ele chegar é preciso que tudo esteja cicatrizado e bem-resolvido e isso requer paciência, não alvoroço, pressa, imediatismo. E nunca ficará bem-resolvido se você ficar vivendo à imagem do outro.
Se quiser mudar o visual, mude; se quiser relacionamentos sem compromisso, tenha; mas faça-o porque você quer, porque tá lhe causando bem-estar, não porque quer mostrar aos outros. Sei que as pressões da sociedade são grandes, mas faça o que faz por você, na medida do possível. "Pinte o cabelo e se valorize", mas não exagere nas tintas e não induza os outros a valorizá-lo/a polo que você não é. E abaixo o "baba, baby" nas redes sociais, porque se torna cômico e todo mundo baba, mas é de rir da sua cara. Sei que bom senso em excesso nos torna castradores, mas a ausência dele nos torna joselitos-sem-noção, que nos orkuts e facebooks da vida só servem para uma coisa: ser motivo de ironia e chacota para os outros. E isso, apesar da dureza das minhas opiniões, eu não desejo a ninguém.
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Monday, November 21, 2011
as estudiosas da TV e o imperativo da baranguice
E eis que eu tava num dos meus momentos "cultura inútil", raríssimos (#ironia), e me deparo com algumas matérias sobre Fina Estampa. Tá legal, a Globo não tá no seu melhor momento no quesito novela, mas pra quem se livrou de Insensato, estamos num lucro estratosférico. Uma das matérias me soou mais curiosa: as mudanças de visual que a personagem de Tânia Khalil sofrerá ao começar a namorar com o cara da voz extragrave, leia-se: Carlos Casagrande (seu lyndo!).
É sempre assim: a CDF é feia e malvestida porque é CDF. E é CDF porque é feia e malvestida e ninguém quer comê-la. Daí não lhe restam opções a não ser os livros. É como se houvesse uma mecanismo de compensação: se é bonita, é burra; se é feia, é sábia. Simples assim. Mote de pelo menos duas dúzias de "comédias românticas" holywoodianas nas últimas décadas. O que muda é só a maneira surpreendente como a feiosa vai driblar a carência, a "estética indesejável", mas sempre tem um macho no meio. E geralmente um macho cercado de mulheres estonteantes que subitamente resolve enxergar a beleza interior da feia-crônica. Ops, quase crônica! Quer ver?
Curioso é que há um elemento que nunca falta a esses personagens: os óculos. (Eu até diria dois, porque também há a insistência em manter os cabelos presos em penteados horrendos...) Freud deve explicar. Eu só questiono mesmo.
Em Not another teen movie (Não é mais um besteirol americano), eles satirizam o lugar-comum da feia por quem o cara mais popular se apaixona e blá blá blá zzzzzzzzz Satirizam, também, a construção dessas CDFs barangas: elas esbanjam superioridade intelectual, mas são muito muito feias. E o filme satiriza a maneira como toda a "feiura" se acaba num passe de mágica ao soltar os cabelos e tirar os óculos.
Pausa.
Volta pra Fina Estampa. Tânia Khalil, cuja baranguice não convence ninguém, é uma viúva professora universitária que se afoga no combo trabalho-estudo como uma forma de fuga (momento psicoterapia). Mas o gatão da voz grossa parece que vai lembrá-la do que é bom, e depois que a cidadã voltar à "atividade física", vai dar uma repaginada no visual. É claro que os óculos serão os primeiros a abandonarem o elenco. (Um pena... tenho a impressão de que eles atuam melhor que alguns "achados" daquele elenco.)
E aí, na qualidade de mestranda, CDF, baranga e míope (do tipo acordo-de-óculos), me senti no dever de tecer alguns questionamentos:
Tá, eu até entendo a origem do estereótipo da feia-inteligente, quem estuda muito (aliás, qualquer pessoa ocupada) nem sempre tem tempo pra se cuidar. Mas pera lá. Mídia, por favor, não nos ridicularize! Somo ocupadas, nem sempre estamos divas, usamos óculos e muitas vezes vestimos a primeira peça que puxamos do armário por pura falta de tempo. Mas longe de nós sermos um bando de songamongas, totalmente desconectadas do mundo, castas por falta de opção, mal-amadas, malcomidas, etc.
Parem de exagerar nas tintas e fazer das estudiosas a síntese de tudo que é indesejável na mulher. A educação do país já anda precária demais pra vocês fazerem mais um entre tantos outros desserviços.
Pra finalizar, uma foto de uma armação bem parecida com a minha:
Linda, não é? A minha é um tom de rosa mais clarinho, queimado. Além dela, tenho uma verde-limão (Crô me imitou, ok?), uma azul-marinho, uma roxa, uma vinho, e amo todas elas. Não precisa ser nenhuma CDF nem defender uma tese para saber que "óculos apropriados podem até dar charme e distinção".
Mas por algum motivo, as "inteligentes" da TV têm algum tipo de bloqueio de senso estético. Mas é só na TV mesmo, ok?
É sempre assim: a CDF é feia e malvestida porque é CDF. E é CDF porque é feia e malvestida e ninguém quer comê-la. Daí não lhe restam opções a não ser os livros. É como se houvesse uma mecanismo de compensação: se é bonita, é burra; se é feia, é sábia. Simples assim. Mote de pelo menos duas dúzias de "comédias românticas" holywoodianas nas últimas décadas. O que muda é só a maneira surpreendente como a feiosa vai driblar a carência, a "estética indesejável", mas sempre tem um macho no meio. E geralmente um macho cercado de mulheres estonteantes que subitamente resolve enxergar a beleza interior da feia-crônica. Ops, quase crônica! Quer ver?
Curioso é que há um elemento que nunca falta a esses personagens: os óculos. (Eu até diria dois, porque também há a insistência em manter os cabelos presos em penteados horrendos...) Freud deve explicar. Eu só questiono mesmo.
Em Not another teen movie (Não é mais um besteirol americano), eles satirizam o lugar-comum da feia por quem o cara mais popular se apaixona e blá blá blá zzzzzzzzz Satirizam, também, a construção dessas CDFs barangas: elas esbanjam superioridade intelectual, mas são muito muito feias. E o filme satiriza a maneira como toda a "feiura" se acaba num passe de mágica ao soltar os cabelos e tirar os óculos.
Pausa.
Volta pra Fina Estampa. Tânia Khalil, cuja baranguice não convence ninguém, é uma viúva professora universitária que se afoga no combo trabalho-estudo como uma forma de fuga (momento psicoterapia). Mas o gatão da voz grossa parece que vai lembrá-la do que é bom, e depois que a cidadã voltar à "atividade física", vai dar uma repaginada no visual. É claro que os óculos serão os primeiros a abandonarem o elenco. (Um pena... tenho a impressão de que eles atuam melhor que alguns "achados" daquele elenco.)
E aí, na qualidade de mestranda, CDF, baranga e míope (do tipo acordo-de-óculos), me senti no dever de tecer alguns questionamentos:
- Onde está escrito que pessoas de óculos são barangas?
- Por que sempre escolhem uma armação tão feia e desproporcionalmente grande para as CDFs? Elas são tão cegas que não enxergam as armações de tamanho normal?
- Por que, para se transformar numa cidadã sexy e comestível, ela tem que tirar os óculos? Volta a enxergar subitamente?
- ...
Tá, eu até entendo a origem do estereótipo da feia-inteligente, quem estuda muito (aliás, qualquer pessoa ocupada) nem sempre tem tempo pra se cuidar. Mas pera lá. Mídia, por favor, não nos ridicularize! Somo ocupadas, nem sempre estamos divas, usamos óculos e muitas vezes vestimos a primeira peça que puxamos do armário por pura falta de tempo. Mas longe de nós sermos um bando de songamongas, totalmente desconectadas do mundo, castas por falta de opção, mal-amadas, malcomidas, etc.
Parem de exagerar nas tintas e fazer das estudiosas a síntese de tudo que é indesejável na mulher. A educação do país já anda precária demais pra vocês fazerem mais um entre tantos outros desserviços.
Pra finalizar, uma foto de uma armação bem parecida com a minha:
Linda, não é? A minha é um tom de rosa mais clarinho, queimado. Além dela, tenho uma verde-limão (Crô me imitou, ok?), uma azul-marinho, uma roxa, uma vinho, e amo todas elas. Não precisa ser nenhuma CDF nem defender uma tese para saber que "óculos apropriados podem até dar charme e distinção".Mas por algum motivo, as "inteligentes" da TV têm algum tipo de bloqueio de senso estético. Mas é só na TV mesmo, ok?
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