(Nem) Freud Explica
...e, se ele não explica, não serei eu quem vai fazê-lo.
rapadura é doce, mas não é mole
- Macabea
- Cor: azul | Banda: Radiohead | Música: In the Year (Echobelly) | Homem: sei não | Mulher: eu | Bebida: caipiruva | Gesto: abraço | Animal: gato | Lugar: Olinda | Veneno: pagode | Objeto: perfume | Verbo: cantar
Tuesday, May 22, 2012
A Ponte
Eu olho pra minha vida e de repente me vejo cruzando uma ponte enorme, que eu me sinto obrigada a percorrer numa velocidade muito maior do que eu gostaria. É isto: eu me sinto obrigada. O que está do outro lado da ponte, eu não faço a mínima ideia. Apenas sei como cheguei a ela. O lado onde eu estava tornara-se insuportável, o lado oposto parecia belíssimo, e a ponte fora a única saída que encontrei pra fugir daquele ambiente inóspito. Talvez houvesse outras saídas, mas a ponte foi a única que eu encontrei e que me deu segurança de seguir em frente. Mas, ao pisar o primeiro pé nesta ponte, percebi que segurança é tudo que eu não teria ao longo do percurso. Cada passo que eu dou faz despencar um pedaço dela, de modo que não posso voltar atrás. Eu estou exatamente no meio dessa ponte. Estarrecida com a velocidade com que os blocos caem e me obrigam a cruzá-la numa velocidade cada vez maior e sem saber se o que está do outro lado é melhor que o ambiente inóspito de onde fugi. Gostaria mesmo é de cruzar a ponte devagar, tem uma paisagem linda e cheia de detalhes ao meu lado, e apreciá-la talvez minimizasse a insegurança de não saber o que está do outro lado. Não poder contemplar cada detalhe dessa paisagem me deixa frustrada. Saber que os blocos caem e que não posso desistir do percurso me deixa apreensiva. Imaginar que, se não a cruzar na velocidade necessária, posso despencar me deixa em pânico. E corro simplesmente pelo medo de cair. Corro porque eu tenho que correr. A esta altura, nem cruzo mais a ponte pelo desejo de estar do outro lado, mas para não cair com os pedaços que se desfazem. Que pena! Imaginava eu que seria este o caminho mais bonito que percorreria na minha vida...
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Sunday, April 29, 2012
Dia Internacional da Dança
Dentre os inúmeros sentimentos que eu tenho pela dança, o maior deles com certeza é a gratidão. Nas horas mais difíceis, é a dança que faz o piano me parecer mais leve. E, aproveitando o ensejo - hoje é o Dia Internacional da Dança -, decidi voltar ao blog, de onde tinha me afastado devido a problemas pessoais.Mas não só de coisas desagradáveis foram feitos os últimos meses. Na verdade, é do ballet que tem vindo a força pra tocar essa luta para a frente.
Por motivo de horário, troquei de turma. E agora estou numa turma que tem mais ou menos metade da minha idade. Eu sinto muita falta das minhas colegas do ballet adulto, mas o novo horário ficou bem melhor para mim e sempre que posso dou uma caminhada na ida de na volta (já que é mais cedo e menos perigoso) pra queimar as porcarias que a ansiedade me faz comer. Na turma das adolescentes, eu me deparo diariamente com as limitações da minha idade, mas, por outro lado, aprendo a lidar com isso e controlar minha autocrítica ferrenha.
A melhor parte da história é o início dos exercícios de ponta. Minha gente, é tudo muito acima das minha expectativas. Porque, apesar de toda a simbologia, que é lindo, desejado e blablablá, sempre ouvia histórias desencorajadoras: falavam-me da dor, das bolhas nos pés, da sensação de ter desaprendido tudo, porque na ponta fica mais difícil, entre outros... E quer saber? Não doeu nada. É claro que, de fato, tudo fica mais difícil, sobretudo quando você ainda não é um poço de segurança na meia-ponta, mas dor, praticamente nenhuma. No primeiro dia, nenhuma. No segundo dia, uma bolhinha no dedo mindinho. Logo sumiu. E eu descobri que gosto muito mais de fazer aula de ponta.
Pois bem, gente. A técnica continua sofrível (pra variar), e fazer exercícios numa turma que já usa ponta há mais de um ano é (mais) desafiador - porque tudo no ballet, sobretudo quando se é adulta - é desafiador. Mas aquilo me faz tão bem que nem sei explicar. Se dependesse de mim, ponta todos os dias. Mas é preciso ter os pés no chão (literalmente): ainda tenho muito o que aprender a pied plat.
Por motivo de horário, troquei de turma. E agora estou numa turma que tem mais ou menos metade da minha idade. Eu sinto muita falta das minhas colegas do ballet adulto, mas o novo horário ficou bem melhor para mim e sempre que posso dou uma caminhada na ida de na volta (já que é mais cedo e menos perigoso) pra queimar as porcarias que a ansiedade me faz comer. Na turma das adolescentes, eu me deparo diariamente com as limitações da minha idade, mas, por outro lado, aprendo a lidar com isso e controlar minha autocrítica ferrenha.
A melhor parte da história é o início dos exercícios de ponta. Minha gente, é tudo muito acima das minha expectativas. Porque, apesar de toda a simbologia, que é lindo, desejado e blablablá, sempre ouvia histórias desencorajadoras: falavam-me da dor, das bolhas nos pés, da sensação de ter desaprendido tudo, porque na ponta fica mais difícil, entre outros... E quer saber? Não doeu nada. É claro que, de fato, tudo fica mais difícil, sobretudo quando você ainda não é um poço de segurança na meia-ponta, mas dor, praticamente nenhuma. No primeiro dia, nenhuma. No segundo dia, uma bolhinha no dedo mindinho. Logo sumiu. E eu descobri que gosto muito mais de fazer aula de ponta.
Pois bem, gente. A técnica continua sofrível (pra variar), e fazer exercícios numa turma que já usa ponta há mais de um ano é (mais) desafiador - porque tudo no ballet, sobretudo quando se é adulta - é desafiador. Mas aquilo me faz tão bem que nem sei explicar. Se dependesse de mim, ponta todos os dias. Mas é preciso ter os pés no chão (literalmente): ainda tenho muito o que aprender a pied plat.
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Wednesday, April 04, 2012
E foi uma sucessão de portas fechando-se nas útimas semanas. O curioso é que não só as coisas que estavam por consertar não se consertaram, como coisas que estavam aparentemente certas desandaram. No fim, uma grande sensação de impotência e de que a vida está tentando me mostrar algo que eu não consigo enxergar. E se não enxergo não progrido.
Aos mais chegados, com quem divido as más-notícias, a reação é de espanto. Coisas inesperadas e raras acontecem, pessoas me mandam tomar banho de sal grosso, arruda, água do mar, etc. Eu fico me perguntando de onde vem tanta energia pesada, tanta coisa dando errado.
Chega uma coisa em que não há mais nada - do ponto de vista prático - que se possa fazer. Deixa as coisas seguirem seu curso...
Aos mais chegados, com quem divido as más-notícias, a reação é de espanto. Coisas inesperadas e raras acontecem, pessoas me mandam tomar banho de sal grosso, arruda, água do mar, etc. Eu fico me perguntando de onde vem tanta energia pesada, tanta coisa dando errado.
Chega uma coisa em que não há mais nada - do ponto de vista prático - que se possa fazer. Deixa as coisas seguirem seu curso...
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Monday, March 12, 2012
Mais uma semana e uma porta fechada
A notícia caiu como uma bomba! Estou eu acordada desde cedo, trabalhando na minha revisão de literatura. Decidida a dar prioridade absoluta à minha dissertação, postei ontem no Facebook: "treinando e me aprimorando na arte de c*gar e andar para estresses que não sejam de natureza acadêmica". Daí hoje, empenhada em redigir algo benfeito, recebo uma ligação que põe abaixo minha concentração, acaba com meu dia e com qualquer esperança de ter uma semana melhor que a anterior. Porque eu sempre penso: "Ok, o fundo do poço chegou, agora é prender a respiração e subir de um impulso só", fazendo das tripas coração para ser otimista, coisa que nunca fui, nem na mais tenra infância. Daí vem mais uma má notícia, e tudo vai abaixo. Hoje, parece que minha mãe, a pessoa mais otimista do mundo, perdeu a esperança. Quando lhe disse não saber o que fazer, ela respondeu: "Reze".
Minha mãe passou os piores perrengues dessa vida sem perder a serenidade. Desde enfrentar uma gravidez prestes a ficar viúva, sabendo que restava tão pouco tempo de vida ao marido que talvez ele nem conhecesse a filha, até passar por isso com uma dignidade de impressionar, ela nunca se abalou. Deus foi tão bom conosco que poupou meu pai de ir sem conhecer a filha, ele viveu o suficiente pra acompanhar meu primeiro ano escolar - muito além do seu prognóstico. E quando esse dia chegou, minha mãe ficou sem nada: nem casa, nem emprego, nem perspectiva. Reconstruiu tudo devagarinho e pacientemente, montou nosso pequeno patrimônio e assim me criou e educou, muito bem, por sinal. O que me impressiona nisso tudo é que nem quando todas as portas estavam fechadas ela se desesperou. E toda vez que perco a cabeça ela diz: "Deus sempre abre uma porta. Fiquei em situação pior com você criança, e as soluções vieram".
Neste momento, minha mãe não está desesperada, mas passa uma tristeza que não é do seu feitio. Vez por outra ela se questiona sobre as portas que se fecharam, sem entender porque todas elas estão fechadas. Neste exato momento, eu não sei nem como raciocinar, mas penso apenas em recuperar a calma e o foco para poder redigir. Nem sei como serão os próximos dias e quantas portas ainda vão se fechar até que eu encontre o caminho certo - sim, porque se elas se fecham é porque não estou no caminho certo. Vou tocar os compromissos da tarde na medida do possível e, se me sobrar tempo - e cabeça -, não falto o ballet. Se posso aprender alguma coisa com o exemplo da minha mãe, é tocar minha vida sabendo que tem pessoas que precisam de mim. No caso da minha mão, uma filha pequena; no meu caso, um orientador, professores, equipes de trabalhos. Apenas peço força pra continuar cumprindo meu papel, até que tudo se solucione.
Minha mãe passou os piores perrengues dessa vida sem perder a serenidade. Desde enfrentar uma gravidez prestes a ficar viúva, sabendo que restava tão pouco tempo de vida ao marido que talvez ele nem conhecesse a filha, até passar por isso com uma dignidade de impressionar, ela nunca se abalou. Deus foi tão bom conosco que poupou meu pai de ir sem conhecer a filha, ele viveu o suficiente pra acompanhar meu primeiro ano escolar - muito além do seu prognóstico. E quando esse dia chegou, minha mãe ficou sem nada: nem casa, nem emprego, nem perspectiva. Reconstruiu tudo devagarinho e pacientemente, montou nosso pequeno patrimônio e assim me criou e educou, muito bem, por sinal. O que me impressiona nisso tudo é que nem quando todas as portas estavam fechadas ela se desesperou. E toda vez que perco a cabeça ela diz: "Deus sempre abre uma porta. Fiquei em situação pior com você criança, e as soluções vieram".
Neste momento, minha mãe não está desesperada, mas passa uma tristeza que não é do seu feitio. Vez por outra ela se questiona sobre as portas que se fecharam, sem entender porque todas elas estão fechadas. Neste exato momento, eu não sei nem como raciocinar, mas penso apenas em recuperar a calma e o foco para poder redigir. Nem sei como serão os próximos dias e quantas portas ainda vão se fechar até que eu encontre o caminho certo - sim, porque se elas se fecham é porque não estou no caminho certo. Vou tocar os compromissos da tarde na medida do possível e, se me sobrar tempo - e cabeça -, não falto o ballet. Se posso aprender alguma coisa com o exemplo da minha mãe, é tocar minha vida sabendo que tem pessoas que precisam de mim. No caso da minha mão, uma filha pequena; no meu caso, um orientador, professores, equipes de trabalhos. Apenas peço força pra continuar cumprindo meu papel, até que tudo se solucione.
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Tuesday, March 06, 2012
Sobre dores e lições
Já faz algum tempo que, entre uma alegria e outra, eu levo uma pancada. Essas pancadas vêm-se acumulando há meses e chegaram a um ponto em que eu me vejo encurralada. Não convém aqui eu detalhar minha vida e os problemas que me têm afligido.
Essa semana começou da pior maneira possível, recebendo a primeira má notícia da semana ainda na minha cama, nos primeiros segundos de olhos abertos da segunda-feira. O desespero foi tanto que nem consegui chorar. Deitei novamente (pra coroar, tinha passado a madrugada em claro com dor de garganta) e dormi algumas horas, para me acordar perto das 9h e raciocinar. Então, saí e fui tentar as soluções que ainda me restavam. Mas foi assim: cada curso de ação, uma porta fechada. E as portas parecem não se abrir de jeito nenhum.
Mais tarde, ao chegar da última porta fechada, tomei um banho e deitei. A essa altura, estava torrando de febre, sem disposição física e emocional para os estudos e o ballet e muita necessidade de dormir para me esquecer da vida. Feito. À noite, levantei, fiz uma refeição e liguei o computador. A intenção era estudar. Mas entrei no Facebook e publiquei a Oração de São Jorge. Há quem diga que eu deva me blindar contra "inimigos". E isso me confortou por alguns minutos.
Que as coisas andam dando errado pra mim, em muitos aspectos, ninguém discute. Os mais próximos chegam a olhar pra mim com pena e, se isso não me ajuda, pelo menos me conforta saber que as pessoas se sensibilizam, sabem que não estou carregando nas tintas e tal. E, conversa vai, conversa vem, o assunto sempre vai parar nos outros: a inveja, o olho-gordo, a energia negativa e todas essas coisas que a gente insiste em acreditar quando o bicho pega. A necessidade de procurar um culpado é inevitável, de se vitimizar e dizer que o problema são os outros. Não que esse tipo de energia não exista, mas é o tipo da coisa que não causa grandes aborrecimentos em quem tem fé. E eu sempre me perguntando: e por que comigo? O que há com minha fé?
Pois bem: muitas pancadas foram necessárias pra parar de ficar procurando "o problema" que está nos outros e reconhecer o tanto de problemas que há em mim. Os próximos dias (quem sabe semanas e meses?) ainda trarão muitas surpresas desagradáveis e, se não as posso evitar, só me resta entender que há muito mais gente no mundo com problemas mais graves e irreversíeis que o meu, lidando com mais serenidade.
Foi à tarde que decidi não faltar o ballet e estudar. Estudei até a hora da aula e, enquanto dirigia até o ballet, pensei na quantidade de coisas sujas que cultivamos no pensamento e que terminam refletindo em atitudes. Vi que talvez eu precise aprender a pensar. E talvez reeducar meus atos e redirecionar minha vida. Redistribuir a energia que pode estar em excesso em alguns lugares e escassa em outros. Talvez esteja na minha mão sair dessa m****. E, se não estiver, acho que não vou perder nada em tentar.
Essa semana começou da pior maneira possível, recebendo a primeira má notícia da semana ainda na minha cama, nos primeiros segundos de olhos abertos da segunda-feira. O desespero foi tanto que nem consegui chorar. Deitei novamente (pra coroar, tinha passado a madrugada em claro com dor de garganta) e dormi algumas horas, para me acordar perto das 9h e raciocinar. Então, saí e fui tentar as soluções que ainda me restavam. Mas foi assim: cada curso de ação, uma porta fechada. E as portas parecem não se abrir de jeito nenhum.
Mais tarde, ao chegar da última porta fechada, tomei um banho e deitei. A essa altura, estava torrando de febre, sem disposição física e emocional para os estudos e o ballet e muita necessidade de dormir para me esquecer da vida. Feito. À noite, levantei, fiz uma refeição e liguei o computador. A intenção era estudar. Mas entrei no Facebook e publiquei a Oração de São Jorge. Há quem diga que eu deva me blindar contra "inimigos". E isso me confortou por alguns minutos.
Que as coisas andam dando errado pra mim, em muitos aspectos, ninguém discute. Os mais próximos chegam a olhar pra mim com pena e, se isso não me ajuda, pelo menos me conforta saber que as pessoas se sensibilizam, sabem que não estou carregando nas tintas e tal. E, conversa vai, conversa vem, o assunto sempre vai parar nos outros: a inveja, o olho-gordo, a energia negativa e todas essas coisas que a gente insiste em acreditar quando o bicho pega. A necessidade de procurar um culpado é inevitável, de se vitimizar e dizer que o problema são os outros. Não que esse tipo de energia não exista, mas é o tipo da coisa que não causa grandes aborrecimentos em quem tem fé. E eu sempre me perguntando: e por que comigo? O que há com minha fé?
Pois bem: muitas pancadas foram necessárias pra parar de ficar procurando "o problema" que está nos outros e reconhecer o tanto de problemas que há em mim. Os próximos dias (quem sabe semanas e meses?) ainda trarão muitas surpresas desagradáveis e, se não as posso evitar, só me resta entender que há muito mais gente no mundo com problemas mais graves e irreversíeis que o meu, lidando com mais serenidade.
Foi à tarde que decidi não faltar o ballet e estudar. Estudei até a hora da aula e, enquanto dirigia até o ballet, pensei na quantidade de coisas sujas que cultivamos no pensamento e que terminam refletindo em atitudes. Vi que talvez eu precise aprender a pensar. E talvez reeducar meus atos e redirecionar minha vida. Redistribuir a energia que pode estar em excesso em alguns lugares e escassa em outros. Talvez esteja na minha mão sair dessa m****. E, se não estiver, acho que não vou perder nada em tentar.
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Thursday, February 09, 2012
Lucratividade plus size
Há alguns anos surgiu a polêmica da modelo magrela: que aquilo era absurdo, que uma pessoa não pode manter aquele peso sem prejuízo à saúde, que aquilo estava desencadeando transtornos alimentares em pessoas jovens, "má influência", "fábrica de anoréxicas", etc. Mas o que dizer dessa moda de modelos plus size? Se seguíssemos o mesmo raciocínio de que as modelos magras são um estímulo aos transtornos alimentares, podemos dizer que as modelos plus size são um estímulo à alimentação desregrada e ao sedentarismo. No fim, tudo fal mal à saúde, não é? Mas todo mundo acha a modelo plus size uma expressão de democracia, um reconhecimento de que cada shape tem sua beleza, de que a mulher com sobrepeso não é necessariamente feia, etc. E, no fim das contas, esse discurso é muito bem-aceito pelas mulheres com sobrepeso, porque muito cômodo, afinal muitas delas já estão exauridas de recorrer a dietas, exercícios, e simplesmente não tocar para frente porque implica uma mudança muito grande de hábitos... para a qual não estão preparadas. Por outro lado, sabemos que nem todos os que estão acima do peso o estão por maus hábitos: há inúmeros fatores, que vão de genética à escolha pessoal de cada um, e não necessariamente refletem uma pessoa descuidada.
Nem toda magra é saudável. Fui assitir a um desfile, e a modelo parecia não ter um músculo sequer. Era magra, mas muito flácida e passava uma imagem de frágil. Fora que o "magra" era uma ilusão: a menina tinha lá seus depósitos de gordura, mas como tinha pouquíssima musculatura era leve, logo... "magra". Pele, ossos, gordura. Por outro lado, nem toda gorda tem as artérias entupidas e é sedentária. Moral da história: se a estética é uma opção de cada um, faça suas escolhas pondo sua saúde em prioridade.
O que me preocupa nessa história das modelos plus size é que ela não tá aí pra fazer você se sentir bem, levantar sua autoestima, criar uma moda "democrática" ou romper com a "ditadura" da magreza. Ela é fruto de um discurso muito bem-articulado de um mercado que fatura milhões e que enxerga, num mundo onde a obesidade cresce exponencialmente, um enorme potencial de lucro. Vejam bem: é mais fácil para a indústria inverter uma tendência (que é o aumento da obesidade) ou usá-la a seu favor? Nem precisa responder, né? Primeiro, porque a indústria da moda (e adjacentes) não tem nada com sua saúde e está pouco se preocupando se o aumento da obesidade é um problema de saúde pública. Como eu disse, é um problema de saúde pública, não deles. Mas o seu ego lhes interessa, sim. Porque o consumo de moda tem muita relação com autoestima, e não convém deixar um público que está se tornando maioria confinado em lojinhas de nome engraçadinhos, separadas das lojas para pessoas "normais". É preciso incluir, oferecer, numa mesma loja, peças de 36 a 56, sem distinção alguma.
Nesse sentido, eu acho que incluir é o caminho certo, é romper com uma distinção que nunca fez sentido algum e só humilhou as pessoas com sobrepeso. Só tenho meu pé atrás com a maneira que essa "inclusão" está sendo feita. Com um discurso inconsequente de "como é bonito ser gordinho", "homem não é cachorro pra gostar de osso", etc., mulheres que já tinham dificuldades em aderir a uma rotina de exercícios ou reeducação alimentar sentem-se mais confortáveis pra soltar as rédeas e comer de tudo sem culpa e não caminhar 100 m.
Então, vale para as magras, as médias, as gordas: sim, é verdade que todo shape tem sua beleza, que é questão de gosto. Mas isso não significa ficar subnutrida para emagrecer ou aceitar-se gorda para não ter que abrir mão de tortas e afins. Magra ou gorda, o que não dá é ser incapaz de subir um lanço de escada sem ofegar, passar mal com uma corridinha de leve e ter só açúcar e gordura na veia. No peso que você escolheu, cultive sua saúde.
Tá na hora de mostrar que o discurso modelo plus size é tão perigoso quanto o da modelo ultramagra. Tá na hora de refletir sobre quais interesses residem por trás desse discurso de "permissividade", sustentado por agentes que querem sua fatia de mercado cada vez maior, independentemente de estimular ou coibir maus hábitos. A indústria não tá aí pra te educar, mas para lucrar; se pra isso ela precisar ser permissiva com seus maus hábitos ou até estimulá-los, não hesitará em fazê-lo.
Gorda ou magra, independentemente de sua escolha, faça-o sem descuidar da sua saúde. Não sou mais nenhuma menina e já não tenho os mesmos 45 kg de cinco anos atrás. Por outro lado, apesar do metabolismo mais lento, hoje tenho mais disposição e taxas melhores que naquela época. É claro que gostaria de ter meus 45 kg de volta, mas isso é um gosto pessoal meu. Mas fico feliz em saber que hoje estou mais saudável que naquela época. #ficadica
Nem toda magra é saudável. Fui assitir a um desfile, e a modelo parecia não ter um músculo sequer. Era magra, mas muito flácida e passava uma imagem de frágil. Fora que o "magra" era uma ilusão: a menina tinha lá seus depósitos de gordura, mas como tinha pouquíssima musculatura era leve, logo... "magra". Pele, ossos, gordura. Por outro lado, nem toda gorda tem as artérias entupidas e é sedentária. Moral da história: se a estética é uma opção de cada um, faça suas escolhas pondo sua saúde em prioridade.
O que me preocupa nessa história das modelos plus size é que ela não tá aí pra fazer você se sentir bem, levantar sua autoestima, criar uma moda "democrática" ou romper com a "ditadura" da magreza. Ela é fruto de um discurso muito bem-articulado de um mercado que fatura milhões e que enxerga, num mundo onde a obesidade cresce exponencialmente, um enorme potencial de lucro. Vejam bem: é mais fácil para a indústria inverter uma tendência (que é o aumento da obesidade) ou usá-la a seu favor? Nem precisa responder, né? Primeiro, porque a indústria da moda (e adjacentes) não tem nada com sua saúde e está pouco se preocupando se o aumento da obesidade é um problema de saúde pública. Como eu disse, é um problema de saúde pública, não deles. Mas o seu ego lhes interessa, sim. Porque o consumo de moda tem muita relação com autoestima, e não convém deixar um público que está se tornando maioria confinado em lojinhas de nome engraçadinhos, separadas das lojas para pessoas "normais". É preciso incluir, oferecer, numa mesma loja, peças de 36 a 56, sem distinção alguma.
Nesse sentido, eu acho que incluir é o caminho certo, é romper com uma distinção que nunca fez sentido algum e só humilhou as pessoas com sobrepeso. Só tenho meu pé atrás com a maneira que essa "inclusão" está sendo feita. Com um discurso inconsequente de "como é bonito ser gordinho", "homem não é cachorro pra gostar de osso", etc., mulheres que já tinham dificuldades em aderir a uma rotina de exercícios ou reeducação alimentar sentem-se mais confortáveis pra soltar as rédeas e comer de tudo sem culpa e não caminhar 100 m.
Então, vale para as magras, as médias, as gordas: sim, é verdade que todo shape tem sua beleza, que é questão de gosto. Mas isso não significa ficar subnutrida para emagrecer ou aceitar-se gorda para não ter que abrir mão de tortas e afins. Magra ou gorda, o que não dá é ser incapaz de subir um lanço de escada sem ofegar, passar mal com uma corridinha de leve e ter só açúcar e gordura na veia. No peso que você escolheu, cultive sua saúde.
Tá na hora de mostrar que o discurso modelo plus size é tão perigoso quanto o da modelo ultramagra. Tá na hora de refletir sobre quais interesses residem por trás desse discurso de "permissividade", sustentado por agentes que querem sua fatia de mercado cada vez maior, independentemente de estimular ou coibir maus hábitos. A indústria não tá aí pra te educar, mas para lucrar; se pra isso ela precisar ser permissiva com seus maus hábitos ou até estimulá-los, não hesitará em fazê-lo.
Gorda ou magra, independentemente de sua escolha, faça-o sem descuidar da sua saúde. Não sou mais nenhuma menina e já não tenho os mesmos 45 kg de cinco anos atrás. Por outro lado, apesar do metabolismo mais lento, hoje tenho mais disposição e taxas melhores que naquela época. É claro que gostaria de ter meus 45 kg de volta, mas isso é um gosto pessoal meu. Mas fico feliz em saber que hoje estou mais saudável que naquela época. #ficadica
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Monday, January 30, 2012
Blogs: o culto do amador é mesmo o fim?
Eu sou uma pessoa que gosta de informação. Gosto por gostar, e isso é anterior ao fenômeno Web 2.0. Na minha infância, me divertia com pequenas enciclopédias, ganhei uma chamada O Livro da Vida aos 7 anos, e ela me distraía nos dias chuvosos das férias. Era legal saber um pouquinho de cada coisa. Entender como funcionava aquela "virose" que o médico diagnosticou. Ou porque a coloração do meu cabelo resultou num verde bizarro. Diversos porquês.
E, com a Web 2.0, percebi que muito mais gente tinha essa curiosidade. E mais: na Web, elas compartilhavam suas pesquisas com as colegas. Eu amei a iniciativa. E, diferentemente de alguns intelectuais, não vejo nisso o apocalipse. Sempre vi muito potencial.
Engana-se quem pensa que o universo de produtos de moda e beleza é pura futilidade. Aliás, a futilidade está no uso que cada um faz desse universo, e não na essência dele. Por detrás dos produtos que tornam nossas rotinas mais agradáveis, há costumes, pesquisas, tecnologias, verdades e mentiras, há tanta coisa a ser pesquisada e desvendada. E acho massa quem se propõe a fazer isso e, nas horas livres, adentro o universo dos blogs buscando informação segura e embasada. Por exemplo, um dos meus blogs preferidos é o Eu Amo Cabelo. A responsável (responsável em todos os sentidos da palavra) por ele é Carla Figueira, uma cabeleireira gente-como-a-gente, não uma cabeleireira de celebridades, mas a quem eu entregaria meus cabelos sem medo se ela morasse numa cidade próxima. É que tudo que ela publica é pesquisado, embasado, passa segurança ao ler. Além do mais, ela tem o know-how da prática profissional. O Maria Vai Comigo é outro que está entre meus preferidos. A responsável por ele é uma publicitária que reflete sobre seu papel enquanto blogueira no cotidiano das leitoras (veja aqui) e até fez seu trabalho de conclusão de curso a esse respeito. Pontos para Beta! A Cássia Pires, Dos Passos da Bailarina, tem o cuidado de pesquisar (para além da Web, inclusive) e compartilhar sua rotina como bailarina adulta, mostrando nossas potencialidades e limitações, refletindo com responsabilidade - e uma escrita impecável - sobre um assunto que requer muito estudo.
Igual aos blogs da Carla, da Beta e da Cássia (atualmente meus favoritos), há uma porção de blogs feitos por pessoas comprometidas em pesquisar e fornecer informação segura e de qualidade. Mas esse tipo de blogueira, lamentavelmente, tá virando exceção. O que eu vejo por aí é um bando de mulher desesperada em ganhar jabá e fazer "parcerias", sem ter conhecimento de causa para isso. O resultado são blogs mal-escritos, cujas informações são réplicas de outros blogs e que não acrescentam nada de novo a não ser um desesperado "siga minha página para eu ganhar jabás". Isso é um prato cheio para o pessoal do Shame on you, blogueira!, meu mais novo vício.
Ter um blog que sirva de referência é muito bom e, acreditem, se eu tivesse tempo investiria nisso. Pesquisar, investigar e oferecer informações que ajude as colegas a não fazerem escolhas equivocadas é gratificante. Mas ler um verbete na Wikipedia e se achar autoridade no assunto é m pouco demais. Coletar informações nos blogs das colegas e publicar como algo novíssimo também não é lá o que se espera de uma "formadora de opinião" (e, sim, empresas só vão investir em brindes para formadoras de opinião).
Apesar do radicalismo de Andrew Keen em O Culto do Amador, a coisa caminha nesse sentido. Mas, longe de ser uma apocalíptica (muito menos integrada), acho que ainda é possível separar o joio do trigo. E, muito embora estejamos vivendo um momento em que o joio seja maioria, eu sempre vou separar meus momentos livres para apreciar o pouco de trigo que ainda existe na Web.
PS: Várias pessoas me perguntam porque eu me recuso a seguir blogs. A ferramenta de seguir, em tese, teria sido criada para facilitar a vida do leitor e mantê-lo informado de tudo que há de novo. Infelizmente, essa ferramenta se conveteu num contador de acessos que as marcas monitoram para decidir com quem vão fazer "parcerias". Definitivamente, não tô aqui pra engordar estatística. Meus blogs preferidos estão na minha barra de favoritos. E esta, empresa nenhuma monitora (em tese).
E, com a Web 2.0, percebi que muito mais gente tinha essa curiosidade. E mais: na Web, elas compartilhavam suas pesquisas com as colegas. Eu amei a iniciativa. E, diferentemente de alguns intelectuais, não vejo nisso o apocalipse. Sempre vi muito potencial.
Engana-se quem pensa que o universo de produtos de moda e beleza é pura futilidade. Aliás, a futilidade está no uso que cada um faz desse universo, e não na essência dele. Por detrás dos produtos que tornam nossas rotinas mais agradáveis, há costumes, pesquisas, tecnologias, verdades e mentiras, há tanta coisa a ser pesquisada e desvendada. E acho massa quem se propõe a fazer isso e, nas horas livres, adentro o universo dos blogs buscando informação segura e embasada. Por exemplo, um dos meus blogs preferidos é o Eu Amo Cabelo. A responsável (responsável em todos os sentidos da palavra) por ele é Carla Figueira, uma cabeleireira gente-como-a-gente, não uma cabeleireira de celebridades, mas a quem eu entregaria meus cabelos sem medo se ela morasse numa cidade próxima. É que tudo que ela publica é pesquisado, embasado, passa segurança ao ler. Além do mais, ela tem o know-how da prática profissional. O Maria Vai Comigo é outro que está entre meus preferidos. A responsável por ele é uma publicitária que reflete sobre seu papel enquanto blogueira no cotidiano das leitoras (veja aqui) e até fez seu trabalho de conclusão de curso a esse respeito. Pontos para Beta! A Cássia Pires, Dos Passos da Bailarina, tem o cuidado de pesquisar (para além da Web, inclusive) e compartilhar sua rotina como bailarina adulta, mostrando nossas potencialidades e limitações, refletindo com responsabilidade - e uma escrita impecável - sobre um assunto que requer muito estudo.
Igual aos blogs da Carla, da Beta e da Cássia (atualmente meus favoritos), há uma porção de blogs feitos por pessoas comprometidas em pesquisar e fornecer informação segura e de qualidade. Mas esse tipo de blogueira, lamentavelmente, tá virando exceção. O que eu vejo por aí é um bando de mulher desesperada em ganhar jabá e fazer "parcerias", sem ter conhecimento de causa para isso. O resultado são blogs mal-escritos, cujas informações são réplicas de outros blogs e que não acrescentam nada de novo a não ser um desesperado "siga minha página para eu ganhar jabás". Isso é um prato cheio para o pessoal do Shame on you, blogueira!, meu mais novo vício.
Ter um blog que sirva de referência é muito bom e, acreditem, se eu tivesse tempo investiria nisso. Pesquisar, investigar e oferecer informações que ajude as colegas a não fazerem escolhas equivocadas é gratificante. Mas ler um verbete na Wikipedia e se achar autoridade no assunto é m pouco demais. Coletar informações nos blogs das colegas e publicar como algo novíssimo também não é lá o que se espera de uma "formadora de opinião" (e, sim, empresas só vão investir em brindes para formadoras de opinião).
Apesar do radicalismo de Andrew Keen em O Culto do Amador, a coisa caminha nesse sentido. Mas, longe de ser uma apocalíptica (muito menos integrada), acho que ainda é possível separar o joio do trigo. E, muito embora estejamos vivendo um momento em que o joio seja maioria, eu sempre vou separar meus momentos livres para apreciar o pouco de trigo que ainda existe na Web.
PS: Várias pessoas me perguntam porque eu me recuso a seguir blogs. A ferramenta de seguir, em tese, teria sido criada para facilitar a vida do leitor e mantê-lo informado de tudo que há de novo. Infelizmente, essa ferramenta se conveteu num contador de acessos que as marcas monitoram para decidir com quem vão fazer "parcerias". Definitivamente, não tô aqui pra engordar estatística. Meus blogs preferidos estão na minha barra de favoritos. E esta, empresa nenhuma monitora (em tese).
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